A âncora farroupilha

Avaliação do Usuário
PiorMelhor 
Criado em Quarta, 03 Julho 2013

 

 

 

Ancora Farroupilha acabou numa clínica de Ipanema

 

Depois de retirada do fundo do rio e doada ao Museu, ela foi vendida a um ferro-velho

 

 

Pouca gente sabe, mas a âncora de mais de 1000 quilos que enfeita o jardim da Clínica Geriátrica São Marcos, na Avenida Guaíba, 684, foi retirada de um barco Farroupilha posto a pique durante uma batalha no Rio Guaíba.

Há anos, quando o Maruí, um patacho – barco de apenas um mastro – foi encontrado pelos pesquisadores do “Farroupilha – Grupo de Pesquisas Históricas”, foram retiradas a âncora, molinete e correntes, e doadas pelo grupo ao Museu Júlio de Castilhos devido ao seu valor histórico.

Ao visitar o museu, um ano depois, o presidente do Farroupilha, Cary Ramos Valli, constatou a falta das peças e foi informado de sua venda para um ferro velho. Conforme desculpou-se o diretor do museu, Derli Chaves, a instituição não tinha verbas para comprar inseticida para a biblioteca interna, atacada por traças e cupins, pois seu orçamento era insuficiente até para o pagamento dos funcionários. “O diretor acreditava que as peças possuíam menor valor histórico que o restante dos materiais expostos”, explicou Valli.

No ferro velho dos irmãos Mollé, localizado na Avenida Farrapos, a âncora foi adquirida por moradores da Rua Fabrício Pilar, no Bairro Moinhos de Vendo e transferida para a residência da Avenida Guaíba, onde encontra-se até hoje. “Foi uma surpresa quando meu marido chegou em casa naquele caminhão com a âncora”, relembra Odete Budazeski, proprietária da casa onde funciona a Clínica.

Conhecedora da sua origem histórica, teme que algum dia tirem a peça de lá e, orgulhosa, diz que sua casa é conhecida até em Paris. Atestou o fato quando em viagem à França conheceu um casal carioca que lhe falou da casa da Avenida Guaíba, em Porto Alegre, onde foi vista uma grande âncora no jardim sem saber, na época, a sua origem.

Mesmo sem pretender, prometeu que se um dia vender a casa, doará a âncora para o museu ou para o grupo de pesquisadores Farroupilha. Mas acredita que, por muito tempo ainda, ela ficará no jardim, já que seu filho quer morar novamente na casa.

Sem perder de vista a âncora, Cary Valli solicitou apenas que ela fique exposta ao público e seja difundida a sua história. Conforme assegurou, não existe interesse em tirá-la dos atuais proprietários. “O importante é que ela está bem cuidada”, lembrou, citando outras peças, retiradas dos barcos por curiosos, que desapareceram ou estão se deteriorando.

É o caso da sobrequilha de um lanchão, encontrado na Praia de Pombas, depenado pela população local, numa época em que baixou bastante o nível do rio e o barco ficou à vista. Colocada na frente de um bar em Itapuã não recebe o mínimo cuidado de preservação. “O problema é que não existe um local para guardar este material e cultuar a memória histórica, queixa-se Valli.

Dos quatro barcos encontrados pelo grupo Farroupilha, estão expostos no Museu Júlio de Castilhos um flanco do barco Vênus – madeira coberta com bronze e algumas peças do barco encontrado no praia do Junco. Segundo informção de Odete Budazeski, o pequeno canhão do barco de onde foi retirada a âncora, encontra-se na Avenida Ubatuba de Farias, em Tramandaí, e foi adquirido na mesma época no ferro velho Mollé. (Jornal Zero Hora - 21 de setembro de 1988)

 

 

Em 11 de novembro de 2011, sob o título “Herança farroupilha retirada do Guaíba – Um tesouro na região” o jornal Zero Hora publicou mais um capítulo dessa história:

 

Âncora do barco Maruí passou por museu e ferro velho antes de ser instalada em casa da Zona Sul

 

Há 23 anos, em 21 de setembro de 1988, Zero Hora noticiava a descoberta de uma âncora de um barco farroupilha no pátio de uma residência da Avenida Guaíba, 684. O tempo passou, mas não foi suficiente para alterar o rumo do objeto histórico. Com mais de mil quilos, a peça continua intacta no jardim da casa que hoje pertence ao arquiteto francês Robert Levy (abaixo).

 

 

– Faz mais ou menos oito anos que comprei a casa, e ela veio junto. Na época, o proprietário me mostrou a matéria do jornal e quis me vender também a âncora, mas eu disse que ele podia levá-la – conta Levy, 83 anos.

O prazo de um ano proposto pelo antigo dono para a retirada do pesado equipamento passou, e a peça segue ornamentando a antiga residência.

 

Thursday the 13th. Joomla Templates Free.