Na Época do Ringue Doze

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Criado em Sexta, 20 Setembro 2013

 

 

 

Na época do Ringue Doze

 

Um programa de televisão dos anos 60 do século passado, o Ringue Doze, conquistou índices de audiência impressionantes. A então TV Gaúcha, Canal 12 (hoje RBS TV), levava ao ar todos os domingos um espetáculo de luta livre, realizado sempre no Ginásio da Brigada Militar. O programa emocionava públicos de todas as idades, das crianças aos adultos. 

 

 

Fixaram-se no imaginário popular os embates em que eram protagonistas Gran Caruso, Fantomas, Romano, Scomparin, Nick Carter, Scaramouche, Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio, Tarzã Argentino, Múmia e os pesos-leves Pfeiffer e Álamo, entre outros. 

 

No espetáculo distribuíam-se cutelaços e voadoras, tentava-se jogar o oponente fora do ringue ou sua imobilização junto às cordas. O radialista Éldio Macedo, que comandava a transmissão das lutas, e o juiz Nilo Rizzo acabaram por se transformar em destaques e celebridades. Discutia-se o programa durante dias e semanas. Havia lutas com dois protagonistas, com quatro (a australiana) ou com seis (a campal). Gran Caruso e Romano conquistaram o campeonato mundial de luta livre representando o Brasil em 1966, na Espanha.

Há 40 anos saía do ar o programa ‘Ringue Doze’, campeão de audiência da TV Gaúcha nos domingos à noite, no período entre 1964 e 1969. Lutadores mascarados, enormes, do bem e do mal, conhecidos por nomes exóticos, faziam parte da atração, muito mais um teatro do que qualquer outra coisa, mas que ainda deixa saudades em quem a assistia.
Porto Alegre – Entre 1964 e 1969, as principais atrações da televisão gaúcha nos domingos à noite não eram loiras falsas ou rapazes sarados confinados na disputa pelo título do Big Brother Brasil. Naquela época, as atrações respondiam por nomes exóticos como Scaramouche, Ted Boy Marino, Verdugo, Gran Caruso, Tigre Paraguaio, Fantomas e Múmia, e a disputa era em cima de um ringue, estrelando o programa Ringue Doze à base de cutiladas, imobilizações e drapes.

Passados 40 anos desde que saiu do ar, o Ringue Doze permanece como um dos maiores sucessos da televisão no Rio Grande do Sul: a audiência era tal que vários cinemas do Interior tiveram de mudar os horários das sessões, incapazes de concorrer com ídolos barrigudos como Gran Caruso ou atléticos como Aquiles. O diretor do Ringue Doze, Ary dos Santos, diz que não sabe explicar por que um programa de luta livre caiu tanto no gosto dos gaúchos:

– Nos anos 1960, já havia programas assim no Rio, mas o sucesso não era tão grande.

O radialista de 82 anos lembra que a ideia da TV Gaúcha era colocar no ar uma atração ligada ao esporte, para tentar recuperar a liderança no horário, que era da Piratini. Ficou decidido que os domingos à noite, das 20h às 22h, seriam ocupados por um programa com lutas de telecatch, que seriam transmitidas ao vivo do Ginásio da Brigada Militar, na Capital.

A equipe de lutadores foi garantida pelo empresário gaúcho Moacir Dornelles, que tinha acesso à maioria dos profissionais que participavam de programas desse tipo na Argentina, Uruguai, Rio e São Paulo. O golpe de mestre veio com a escolha da equipe que transmitiria o Ringue Doze, a maioria convocada na equipe esportiva da Rádio Gaúcha. O tom de seriedade e credibilidade era garantido pelo narrador Jorge Alberto Mendes Ribeiro e pelo comentarista Jorge Aveline, mas o espetáculo mesmo começava quando o apresentador Éldio Macedo subia ao ringue e mobilizava o ginásio com uma maneira de falar treinada à exaustão no banheiro de casa:

– À nossssa esssqueeerrrda, com 98 quilos, o predador insensível... o atrevido... odiado... e sem limites de maldades...Deeeeee-mô-nioooo Mas-ca-ra-do! À nosssa direiiiittta, 88 quilos, o incomparável, ágil, leal, ídolo internacional de todos os tablados... o singular... amigo da técnica e do vigor plástico... arte e talento... Teeedddd Boy... Maaaaa-riiii-noooooooooooo.

Éldio, 73 anos, criou um personagem: de smoking e calçando sapatos de verniz preto, não vacilava na hora de subir à lona e entrevistar os lutadores com a peleja em andamento. Os lutadores também interpretavam papéis. Basicamente, os mais de 25 lutadores, na maioria uruguaios, argentinos e paraguaios, se dividiam entre bons e maus.

As lutas obedeciam ao mesmo roteiro: no início, o lutador bonzinho apanhava para valer do mauzão, que não hesitava em aplicar truques vergonhosos como puxão de cabelo, limão nos olhos ou uma pilha escondida no punho para potencializar seus socos. Depois de uma boa sova, o lutador galã reagia e detonava o vilão, para delírio do público.

 

Principais golpes e ações
 

Drape – golpe em que o lutador arremetia no ar projetando os dois pés no corpo de seu oponente
Tesoura – o lutador trançava as pernas em torno do pescoço do rival
Cutilada – doloroso golpe aplicado com o cume da mão espalmada
Medir forças – os dois contendores trançavam os dedos para ver quem era mais forte
Australiana – luta especial que opunha dois lutadores maus e dois bons
Limão nos olhos – ardil clássico dos lutadores malvados, usado para cegar momentaneamente o adversário
Terceira corda – quando o lutador subia na corda mais alta que cercava o ringue e se projetava sobre o oponente
Doble Nelson – um dos golpes mais temidos. Geralmente, forçava o lutador submetido a dar três batidas na lona, desistindo do combate

 

Ringue Doze - Imagens da RBSTV

Mestres do Ringue - Imagens da RBSTV

Ringue Doze - Antigas imagens - Parte de um vídeo localizado na internet sobre a TV Gaúcha e fatos que marcaram as décadas de 60 e 70 no Rio Grande do Sul, dentre eles o Ringuedoze, programa de Luta Livre apresentado pela emissora nas noites de domingo.

No Tempo dos Heróis - Trailer do filme Tempo dos Heróis. Resgate, através de depoimentos, da história de ex-lutadores de luta livre da década de 60 no Rio Grande do Sul e no Brasil. Cinco personagens que viveram numa época de fama e glórias vão relatam a trajetória de um grupo de atletas. Um filme com direção e roteiro do jornalista, diretor e documentarista Cássio Peres, fotografia Lucas Tergolina, direção de arte Sandro Pinto, desenhos Sandro Zambi, equipamentos e produção Cauê Borella.

 

 

FONTES: 

Jornal Zero Hora, de 11/08/2010
Jornal O Pioneiro, de 07/03/2009 http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,2430139,156,11856,impressa.html
Montagem: Floriano Bortoluzzi, BD 09/01/1967

 

 

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