Lydia Moschetti

Criado em Quarta, 17 Julho 2013

 

 

 

 

Hospital Banco de Olhos

Um dos muitos legados de Lydia Moschetti

 

Lydia Moschetti

 

Lydia (Bastogi-Giannoni) Moschetti nasceu na localidade de Fucecchio, Toscana, na Itália em 14 de setembro de 1896 e imigrou para o Brasil aos dezessete anos, com a mãe e as irmãs. Foi professora, poetisa, romancista, artista de teatro, memorialista, promotora cultural e ativista social.1

A caridade, foi uma de suas grandes virtudes, pode ter sido despertada quando, ainda criança, teve compaixão para com um cego.

Mais tarde, quando cantava no Teatro República do Rio de Janeiro, acudiu aos flagelados do incêndio no morro Santo Antônio, próximo ao hotel onde morava. Em Belo Horizonte fez concerto promocional para os tuberculosos e em Petrópolis, para orfanatos. Em Pernambuco acudiu a leprosos e aos atingidos pela gripe espanhola de 1917, enfrentando o risco de contágio; no Maranhão voltou-se para os leprosos e portadores de beri-beri, e no Pará condoeu-se dos seringueiros abandonados à própria sorte pelo empregador ambicioso e desumano... Foi sua pré-estréia em altruísmo, sem falar nas tantas vezes que acudiu colegas de trabalho, nem sempre com retorno senão com sentimentos de gratidão. Em Porto Alegre, casada, a vida do lar lhe pareceu monótona em confronto com as luzes e aplausos do palco, como soprano de voz aveludada e macia. Atirou-se a ajudar o marido, engenheiro Luiz Moschetti, na construção de empresa do ramo de papel, pioneira na cidade e no Estado, para logo ingressar na vida agitada da organização de chás e cruzadas benemerentes(...). Lydia deu vôos mais altos, passando a fundar uma sequencia de instituições beneméritas as quais, concluídas, delegava aos cuidados de alguma Ordem religiosa – doação sempre feita livre de dívidas, saldadas estas pelo marido-empresário. A odontóloga AuroraNunes Wagner, colega de Lydia na Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul, assim testemunha a vontade indômita que caracterizou essa imigrante italiana: “Quem não a tem visto palmilhar as ruas das Capital angariando donativos em favor das creches, dos asilos, dos tuberculosos, dos leprosos, dos flagelados das enchentes, do Natal do sinaleiro, das crianças pobres e também dos cegos?” 2

O jornal Zero Hora, em sua edição de 07 de agosto de 2012, publicou:

Na edição de ontem, a coluna Há 30 Anos em ZH registrava a morte de Lydia Moschetti, ocorrida aos 94 anos, em 5 de agosto de 1982. A nota dizia ainda que ela, apesar de longeva, talvez não tivesse recebido todas as homenagens devidas. Verdade. A dívida que a sociedade gaúcha tem com essa extraordinária mulher será, para sempre, impagável. Os títulos de cidadã honorária ou seu nome atribuído a uma rua da Capital jamais serão suficientes. Mais que tudo, a pessoa que ela foi precisa ser lembrada. Melhor ainda se ela pudesse ser imitada.

Lydia Bastogi Giannoni Moschetti nasceu na Toscana, em 1888. Chegou ao Brasil com 19 anos. Em 1921, casou-se com o engenheiro Luiz Moschetti. Entre suas iniciativas, as duas mais conhecidas são o Instituto Santa Luzia (1941) e o Hospital Banco de Olhos (1956). É possível que, ao dedicar toda uma vida em benefício daqueles que tiveram, ou têm, problemas de visão, ela, silenciosa e metaforicamente, estivesse nos ensinando a ver adiante. Com sua ilimitada generosidade, alertava que devemos, principalmente, ver além do nosso próprio umbigo.

Apesar dos preconceitos sofridos, duros e injustos especialmente com as mulheres da sua época, ela nunca cedeu. Foi atriz, cantora lírica, poetisa, escritora (fundadora da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul), pintora e imbatível na dedicação ao próximo e a todo tipo de ação filantrópica. Desapegada, doou muitos de seus bens à cidade de Farroupilha, onde foi criado o Museu Municipal Casal Moschetti. “A vida não é para ser vivida, é para ser vencida”, dizia ela.

 

Lydia Moschetti e as obras do Hospital Banco de Olhos

 

Mapa do Local


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Rua Engenheiro Walter Bohel, 285 - Bairro Ipiranga, Porto Alegre - RS

 

OBRAS DE LYDIA MOSCHETTI EM PORTO ALEGRE3

 

1938 – Grupo de Escoteiros, do Círculo Operário;

1939 – A Casa do Pequeno Jornaleiro;

1940 – Sopa Escolar;

1941 – Instituto Santa Luzia

1943 – Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul – a mais antiga academia do gênero no país;

1947 – Educandário Dom Luiz Guanella;

1956 – Banco de Olhos de Porto Alegre, pioneiro no Brasil;

1963 – Lar do Bebê e Pupileira;

1970 – Artesanato Feminino na Vila Ipiranga.

 

Como co-fundadora de eventos beneméritos ou obras sociais

 

- Pequena Cruzada, 1935;

- Creche Navegantes, do Círculo Operário, 1935;

- Natal do Guarda de Trânsito, 1935;

- Natal da Criança Pobre;

- Sopa para tuberculosos da Santa Casa de Misericórdia de Porto-Alegre, 1937;

- Enxoval para bebês, Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, - 1937;

- Casa Nossa Senhora Medianeira, 1940;

- Ambulatório do Círculo Operário, 1940;

- Almoço para os mendigos do Asilo Padre Cacique;

- Almoço para 200 crianças do Mato Sampaio, então uma das vilas mais carentes e sórdidas da periferia de Porto Alegre;

- Amparo Santa Cruz;

- Leprosário Itapoá;

- Sanatório Belém, para tuberculosos;

- Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano, em Porto Alegre;

- Liga da Defesa Nacional, 1940.

 

FONTES:

 

1 FLORES, Hilda Agnes Hübner. Dicionário de Mulheres, Porto Alegre, Ed. Nova Dimensão, 1999

2 Depoimento de Hilda Agnes Hübner Flores (Palavras Iniciais), Pg. 8, para a Autobiografia – Lydia Moschetti, Porto Alegre, Ed Ediplat, 2008

3 Depoimento de Hilda Agnes Hübner Flores (Palavras Iniciais), Pg. 9 a 14, para a Autobiografia – Lydia Moschetti, Porto Alegre, Ed Ediplat, 2008

 

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