Antônio Pereira Coruja

Criado em Quinta, 18 Julho 2013

 

 

 

 

Antônio Álvares Pereira Coruja

 

 

 

Antônio Álvares Pereira Coruja, foi professor, pesquisador de história, autor de inúmeros livros didáticos e teve participação de destaque na nossa sociedade. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e um dos organizadores da Sociedade Rio-grandense Beneficente e Humanitária.

Antônio Álvares Pereira Coruja (BASTOS, 2006) 1 nasceu em 31 de agosto de 1806, em Porto Alegre, filho de pais pobres, e morreu em 4 de agosto de 1889, no Rio de  Janeiro, em extrema pobreza vivendo em “repúblicas” de estudantes gaúchos. Temos conhecimento de um irmão – Joaquim Antonio Pereira – que também foi professor de primeiras letras em Porto Alegre. Foi casado com D. Catarina Lopes Coruja, que no Rio de Janeiro fundou uma escola para meninas, em 1841, na Rua da Assembléia nº 88, fechada em 1849. O casal não teve filhos, mas adotou um, que recebeu o mesmo nome do pai, mais tarde sendo conhecido como Comendador Coruja, nome de rua em Porto Alegre.

Estudou as primeiras letras nas aulas primárias públicas de Maria Josefa da Fontoura Pereira Pinto, nos anos 1811 e 1812, e de Antônio d’Ávila. Para ajudar a família, foi ser sacristão da Igreja Nossa Senhora Madre de Deus, onde granjeou a estima do vigário geral, Padre Tomé Luis de Souza, com quem aprendeu latim a partir de 1816, aos nove anos de idade. Foi nas aulas do Padre Tomé que recebeu a alcunha de “Coruja”, que incorporou ao nome da família. Sobre esse evento escreveu: 

 

“Em 1816 na aula do padre Tomé eram discípulos mais adiantados Antonio Fernandes Chaves, Cândido Batista de Oliveira, José Moreira de Menezes e Manoel Francisco da Costa, seguindo-se-lhes Marcos Alves, o Cabo Regente, o padre Francisco de Paula Macedo e outros segundo ordem de adiantamento. Tinha de entrar para ali um menino de nove anos e meio, pois nascera em agosto de 1806, e estávamos em fevereiro de 1816. Tinha sido discípulo da poetisa Maria Josefa, e depois também do Amansa, e aprendido a ajudar a missa com o padre Sanhudo. Seus pais para sua estréia tinham-lhe mandado fazer uma casaquita de pano mescla, cor da pele do diabo ou cor de burro quando foge. Ao apresentar-se na aula pela primeira vez com este fato novo, gritou logo o Cândido Batista lá do seu banco da direita: Olhem, parece mesmo uma coruja. E como Coruja foi proclamado pelo Cabo-Regente, e como Coruja foi aclamado por toda a assembléia latinante: e Coruja ficou, e... pegou (Coruja, 1885/1996, p.88-89).2

 

Outro fato, relatado por ele, também contribuiu para a incorporação do apelido Coruja ao próprio nome. Este menino continuou a estudar, cresceu e fez-se homem. Era afilhado de José Manoel Afonso (pai do senhor Luís Afonso de Azambuja), o que era muito sabido por que em terra pequena tudo se sabe. José Manoel, depois de ter sido tesoureiro de ausentes em Porto Alegre, mudara-se para o outro lado, onde tinha um  outro afilhado que também se chamava Antônio Alves Pereira, e ao mesmo tempo tinha um bom vizinho, a quem se viu obrigado a escrever uma carta que pelo resultado devia ser não só salgada como apimentada, sendo dela portador o seu dito afilhado, do outro lado. O seu bom vizinho em vez de responder-lhe em carta particular, o fez pela imprensa dirigindo-lhe pelos jornais de Porto Alegre mil impropérios, entre os quais se liam as palavras seguintes:

 

“E quem havia de ser o portador dessa célebre carta? O seu célebre e bem conhecido afilhado Antônio Alves Pereira”.  

 

A vista disto o homônimo deste lado, para não haver confusões, desde esse dia, ou antes da noite desse dia, já na ata da Sociedade do teatrinho, de que era secretário, ao subscrevê-la, começou e daí em diante continuou até hoje a assinar-se como abaixo se vê (Coruja, 1885/1996, p.88). 2

Coruja também faz uma escolha identitária ao adotar o desenho de uma coruja com as letras de seu nome como sua marca, a qual vinha impressa nos seus livros didáticos (Klein, 2004, p.44) 3

Antônio Álvares Pereira (BASTOS, 2006, p. 7) foi nomeado professor de ensino mútuo, a 10 de março de 1827, e abriu a escola pública pelo método lancasteriano em 2 de agosto do mesmo ano, escola que ficou conhecida como “Casa Queimada” (Kraemer Neto, 1969,p.111) 4, situada na rua da Graça.

Com a criação da Assembléia Legislativa Provincial (BASTOS, 2006, p. 8), por força do Ato Adicional de 1834, as eleições para a primeira legislatura têm Coruja como candidato. Foi eleito como suplente de deputado, sendo chamado para assumir em dezembro de 1835, momento conturbado, porque já havia sido deflagrado o movimento conhecido como Revolução Farroupilha (1835-1845). Coruja aliou-se ao partido dos insurgentes, prestigiando o vice-presidente rebelde Marciano Ribeiro e opondo-se à posse de José Araújo Ribeiro. Depois da tomada de Porto Alegre pelos legalistas, foi preso de junho a novembro de 1836, primeiro num quartel, depois no barco Presiganga e, posteriormente, no Rio de Janeiro. No início de 1837, fugindo à reação dos “caramurus”, resolveu transferir-se com a família para o Rio de Janeiro, residindo no Município da Corte até sua morte, não retornando mais à sua cidade natal (Franco, 1996, p. 8). 5

 

FONTES

1 Bastos, Maria Helena Camara, Doutora em História e Filosofia da Educação, em A escola e o ensino em Porto Alegre, RS: Antigualhas do Professor Coruja, PPGE/PUCRS,UNIrevista - Vol. 1, n° 2 : (abril 2006).

CORUJA, A. A. P. C. (1881-1890) 1996. Antigualhas. Reminiscências de Porto Alegre. Porto Alegre, UE/Porto Alegre. Citado por: Bastos, Maria Helena Camara, Doutora em História e Filosofia da Educação, em A escola e o ensino em Porto Alegre, RS: Antigualhas do Professor Coruja, PPGE/PUCRS,UNIrevista - Vol. 1, n° 2 : (abril 2006).

KLEIN, A. I. 1997. Crônica e Historia: a trajetória de seus encontros e desencontros e a analise de “Antigualhas: reminiscências de Porto Alegre”, de Antonio Álvares Pereira Coruja à luz de reflexões atuais sobre a relação. Porto Alegre, PPGHist/UFRGS. (Dissertação de mestrado em Historia). Citado por: Bastos, Maria Helena Camara, Doutora em História e Filosofia da Educação, em A escola e o ensino em Porto Alegre, RS: Antigualhas do Professor Coruja, PPGE/PUCRS,UNIrevista - Vol. 1, n° 2 : (abril 2006).

KRAEMER NETO. 1969. Nos Tempos da velha escola. Porto Alegre, Sulina. Citado por: Bastos, Maria Helena Camara, Doutora em História e Filosofia da Educação, em A escola e o ensino em Porto Alegre, RS: Antigualhas do Professor Coruja, PPGE/PUCRS,UNIrevista - Vol. 1, n° 2 : (abril 2006).

FRANCO, S. da C. Introdução.  In:A. Á. P. C. CORUJA (1881-1890). 1996.  Antigualhas. Reminiscências de Porto Alegre. Porto Alegre, UE/Porto Alegre. p. 7-10. Citado por: Bastos, Maria Helena Camara, Doutora em História e Filosofia da Educação, em A escola e o ensino em Porto Alegre, RS: Antigualhas do Professor Coruja, PPGE/PUCRS,UNIrevista - Vol. 1, n° 2 : (abril 2006).

 

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