O Cinema em Porto Alegre

Criado em Sexta, 12 Julho 2013

 

 

O Cinema de Porto Alegre

 

Para mostrar um pouco da história do cinema em nossa cidade contamos com a inestimável colaboração do Museu Hipólito José da Costa, na pessoa da Sra. Dra. Carlinda Maria Fischer Mattos*, coordenadora do setor de cinema. Selecionamos alguns eventos, imagens e textos que tratam desde os simples desenhos nas paredes das cavernas às descobertas de fenômenos como o da persistência retiniana e as invenções, que ao passar do tempo, levaram a criação do cinematógrafo. Vamos abordar aspectos da origem e evolução historiográfica do cinema, tratar também do período compreendido entre o final do século XIX a meados do século XX, e inserir Porto Alegre neste contexto. 

Este é o primeiro de quatro artigos sobre manifestações de arte rupestre, a evolução das imagens animadas, os primeiros filmes e os saudosos cinemas de rua de Porto Alegre.

 

 

 

No dia 8 de julho de 1896, na Rua do Ouvidor nº 57, no Rio de Janeiro, foi realizada a primeira exibição do cinema no Brasil. E logo a seguir, em quatro de novembro, tivemos aqui uma sessão de cinema.  Porto Alegre foi uma das primeiras cidades brasileiras a conhecer a novidade. As apresentações foram feitas por exibidores itinerantes até a inauguração do Recreio Ideal1 em 21 de maio de 1908, primeira sala de cinema permanente. 

 

O COMEÇO 2

As primeiras manifestações através de imagens são do período em que os homens viviam em pequenos grupos nômades e sobreviviam da pesca, da caça e também das frutas. É dessa época a descoberta do fogo e da utilização de ferramentas como a pedra lascada para fazer armas e utensílios. Vem do começo dos tempos a necessidade de registrar eventos através de pinturas e desenhos. E essa arte foi sendo desenvolvida e aperfeiçoada através dos tempos.

O homem fazia o registro de seus feitos em desenhos nas paredes das cavernas. Chama-se isso de arte rupestre. São as gravuras, pinturas ou qualquer forma de desenhos feitos pelo homem para representar cenas da pré-história, quando ainda não existia a escrita. Esses tesouros arqueológicos ajudam a compor a cultura daquela época, seus hábitos e experiências.

Mais tarde os temas dessa arte mudam. O homem passou a reproduzir imagens da vida coletiva. A necessidade de recordar os seus feitos produziu o desenvolvimento dessa expressão. Era a maneira utilizada para marcar o tempo e trocar experiências, e era assim que transmitiam mensagens e demonstravam os seus sentimentos. Mais tarde imagens em relevo foram gravadas nas paredes dos templos.

 

 

A CÂMARA ESCURA 2

No Século XIV Leonardo Da Vinci (Itália) gênio florentino cuja Mona Lisa imortalizou o seu nome nas artes, construiu uma câmara escura, uma caixa fechada, com um orifício e uma lente, para passagem da luz.

Esse feito, segundo consta, foi baseado em experimentos atribuídos por alguns historiadores ao chinês Mo Tzu no século V a.C e, por outros, ao filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C). Consta que o filósofo sentado sob uma árvore observou a imagem do sol, em um eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua ao passar seus raios por um pequeno orifício entre as folhas de um plátano. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem.

 

 

AS SOMBRAS CHINESAS2

Nasceram durante a dinastia Han (206 a.C a 220 d.C),  noroeste da China, chegaram a África do Norte do século XIII e à Europa no século XVII.

Conhecidas como um precursor do cinema moderno, as sombras chinesas eram peças teatrais dramáticas compostas por figuras feitas de papel, projetadas numa tela branca. O ator manipulava as figurinhas por trás da tela enquanto cantava o enredo do conto. 

 

 

A LANTERNA MÁGICA 2

O título de primeiro projecionista talvez pertença ao cientista Athanasius Kircher jesuíta alemão que em 1646 elaborou um teatro catóptrico usando espelhos e a luz do sol.

Ele criou a Lanterna Mágica, uma caixa cilíndrica iluminada à vela que ampliava as imagens com o uso de uma lâmina de vidro.

 

 

A PERSISTÊNCIA RETINEANA 2

O inglês Peter Mark Roget em 1824, relata o fenômeno da persistência retineana, característica do olho humano de reter uma imagem na retina, por uma fração de segundo, após sua percepção.

Peter Mark Roget

 

 

THAUMATRÓPIO 2

Foi apresentado em 1825. Consistia em um disco de papelão onde em um lado havia o desenho de uma gaiola e no outro o de um passarinho. Ao fazê-lo rodar sobre um fio esticado, as duas imagens fundiam-se dando a impressão de que o pássaro estava dentro da gaiola. Os dois lados parecem se combinar graças ao princípio da persistencia da visão

 

 

 

O FENACISTOSCÓPIO 2


Em 1829 o cientista belga Joseph-Antoine Plateau elaborou uma máquina que fazia uma imagem deformada parecer normal quando vista através de um disco rotante ou obturador.

Plateau, em 1832, criou o Fenacistoscópio, apresentando várias figuras de uma mesma pessoa em posições diferentes desenhadas em um disco, de forma que ao girá-lo, elas formavam um movimento.

 

 

 

ZOOTRÓPIO 2

Criado em 1834, pelo inglês William George Horner.


Um tambor giratório com aberturas na sua circunferência. Na parte interna eram colocadas tiras de papel com imagens, de modo que cada imagem estivesse posicionada do lado oposto a uma abertura. Ao girar o tambor, olhando através das aberturas, assistia-se ao movimento. 

 

 

 

PRAXINOSCÓPIO 2

Derivado do zootrópio, o praxinoscópio foi elaborado pelo francês Charles-Émile Reynaud, um perito austríaco especialista em artilharia e balística.

Charles-Émile Reynaud

No centro havia diversos espelhos. Fazendo girar um disco de vidro atrás de uma abertura um obturador produzia imagens móveis projetadas numa tela. 

O Praxinoscópio

 

 

O CINETOSCÓPIO 2

 

Do americano Thomas Edison, era uma espécie de gabinete onde alguns metros de filme passavam por carretéis.

A pessoa via por um visor as fotos em movimento. Em 1894 o cinetoscópio foi exibido em Nova York, Londres e Paris. O filme perfurado era projetado em uma pequena tela no interior da máquina e só podia ser visto por uma pessoa de cada vez, através de uma lente de aumento. 

 

 

O CINEMATÓGRAFO 2

 

Louis e Auguste Lumière

Apresentado pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, na França, em 1895, o cinematógrafo, foi um aperfeiçoamento do cinetoscópio.

Era ao mesmo tempo filmadora, copiadora e projetor. Foi considerado o primeiro aparelho que reunia as condições necessárias para realizar o sonho de dar vida ao cinema.

 

 

Louis Lumière foi o primeiro cineasta a realizar documentários em curta metragem: “Sortie de L’usine Lumière à Lyon” (Empregados deixando a Fábrica Lumière) foi o primeiro e possuía 45 segundos de duração. 

 

FONTES:

* Carlinda Maria Fischer Mattos é doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com ênfase em Cultura e Representações. Realizou estágio de doutorado na Université Denis Diderot em Paris na França no ano de 2007. Desenvolve pesquisa em História Medieval com ênfase em Ciência Medieval. Trabalha no Setor de Cinema do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa; atua na área da Preservação de Acervos Cinematográficos.

 Franco, Sérgio da Costa, Porto Alegre Ano a Ano – Uma Cronologia Histórica 1732/1950, Ed. Letra & Vida, Porto Alegre, 2012, p. 161 “Em 21-Maio, começou a funcionar a primeira sala fixa de cinema, o Recreio Ideal, sito à Praça da Alfândega. Logo em seguida, as salas se multiplicaram, acompanhando os progressos da cinematografia. Em dezembro já funcionava o Variedades, na esquina da Rua dos Andradas com a Praça da Alfândega.”

2 Setor de Cinema do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

 
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